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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

20 e tantos anos.


É estranho pensar nos meus 20 anos "presente" e "passado".
Digo "passado" por quando tinha lá meus 14, 15 anos (ou menos) imaginar como seria minha vida com essa idade. Pensava que teria um emprego bom (ok, consegui), morando sozinha (isso ainda não) e com um namorado descente (nem em sonho).
A gente pensa cada besteira quando é mais nova. Imaginava que quando fizesse 18 anos me encheria de tatuagens e de piercings (hoje só tenho um piercing e nenhuma tattoo por medo), pensava que já teria dinheir o suficiente para sair de casa, pensava que seria boa o suficiente para alguém.
20 anos me deprime. Sei lá, já estou me sentindo velha, principalmente quando penso que daqui à 10 anos já terei 30 e não faço a mínima idéia de como minha vida vai estar.

Bom, acho que estar viva já será um bom começo.



Caroline Beltrame

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Hipócritas de natal

A sociedade não quer saber do bom rapaz/boa moça que você está se tornando. A sociedade só quer o trabalho e consequentemente o lucro que você proporciona à ela.
Não quer saber se você é um bom filho, um esposo fiel. Quer apenas saber quanto seu sacrifício diário de 8 horas diárias ( ou mais) recebe no final de cada mês.
Não quer saber se seus filhos são bonitos e bem vestidos suficientemente bem ( à menos que seja quantativamente, é claro).
Não quer saber o quanto sua esposa é bonita, apenas o quanto ela gasta para manter a beleza.
Só se importa com crianças morrendo de fome e sem família em Natal e Dia das Crianças (que no resto do ano usam  roupas e brinquedos velhos e inutilizáveis).
Só se importa com belas mulheres magras e com seios fartos para que suas academias e cirurgiões plásticos faturem. Porém esquece totalmente de garotas anoréxicas em suas casas se suicidando e em cirurgias que levam milhares de pessoas à morte todos os anos.


Mas tudo bem, tudo bem. Você tem um bom emprego, uma esposa bela e magra, filhos adoráveis com seus caros e tecnológicos brinquedos e uma amante amável que se deita com você para suprir seus caprichos pelo menos uma vez por semana enquanto diz que está fazendo hora extra no trabalho.


Viu só? A vida perfeita de qualquer cidadão.






Caroline Beltrame

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Insanidade

Medos, loucuras e insanidades que em minutos de explodem de uma só vez dificultando a vida cada vez mais e  mais.
Já não tenho a mesma paciência que tinha antes, já não tenho mais os pensamentos insanos e totalmente sem nexo que tive antes durante muito tempo.
As coisas mudam e muitas vezes para a pior. A realidade que surge e o resto se torna vazio.
Os sentimentos, esperanças e as alegrias do "talvez um dia" desaparecem. É doloroso.
O tempo passa e a inocência desaparece, não há mais ideias absurdas da melhora dos dias. Apenas se vê  oque realmente deve acontecer e nada mais.
Tudo some e o nada surge.


Caroline Beltrame

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vestido Verde


Ele chegou em casa e lá estava ela deitada no sofá como sempre e exatamente como ele havia a deixado.Vestido verde, colar de pérolas. Tudo oque toda mulher mereceria.
Era uma boa moça, namorada, amiga, noiva.
Se conheceram na adolescência, época de escola. Sempre fora perdidamente apaixonado por ela e sabia que um dia seria só sua.

Ele a via dormindo como todos os dias. A pele clara refletia a luz da varanda que sai de um fresta da cortina, e seu cabelo loiro estava incrivelmente brilhante devido à mesma. Ele gostava do que via, a amava o suficiente para fazer tudo por ela, tudo para se manter com ela.
Arriscaria a própria vida por ela. E se necessário, até a dela.

Passava os dedos pela pele delicada e imensamente branca. Nenhuma ruga, nenhuma pretuberancia. Era extremamente lisa mesmo depois dos anos que se passaram.
Era a perfeição em pessoa. Sua perfeição.

Não aceitava, não admitia que mais ninguém a olhasse, nem que por um segundo. Era só dele e sempre. Nem que para isso tivesse que  tomar providências.
Ela não deveria ter comprimentado o novo vizinho e passado minutos conversando com o mesmo, ela não deveria te-lo  convidado para tomar café em sua casa. Ela não poderia ter se aproximado de um outro que não fosse ele.
Era uma pena, pois já tinha feito.

Estava sozinho com ela no apartamento. Já era tarde e todos já estavam dormindo. Ningúem ouvira nada.
Fora rápido e extremamente inteligente ao misturar arsênico em seu chá e ainda mais esperto em cala-la em seu momento de desespero.

Agora estava lá, com ela. Extremamente linda, sua eterna perfeição. Mais pálida do que sempre fora, e extremamente fria. Seria eternamente sua.
Somente sua e de mais ninguém.




Caroline Beltrame

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Galeria de Henri Beauchamp

Se você entrar nesse pequeno e sujo bar em Paris, e se o bartender correto estiver atrás do balcão naquela noite, você pode ser capaz de ver uma galeria muito exclusiva que mostra os trabalhos perdidos de certo Henri Beauchamp. Mas, para poder entrar, você deve provar que é um devoto do artista.




Você será perguntado, de forma clara e em um inglês perfeito “O que você gostaria de tomar nessa noite gloriosa?”. Responda “Absinto”, não importa o que aconteça. Qualquer outra bebida, de uísque até água, irá lhe matar enquanto você dorme.


A próxima pergunta vai ser sobre o tipo, e você DEVE responder uma de duas coisas: “Aquilo que o próprio Homem não suportaria tomar” ou “Aquele bom. O melhor de todos.”. Se você pedir qualquer outro absinto, de qualquer outra maneira, você será amaldiçoado com pesadelos por treze dias. O sonho de cada noite vai ser pior que o anterior, até que, no décimo terceiro sonho, se pesadelo irá lhe seguir, em cada momento de sua vida desperta ou adormecida.


Não tente enganar o barman: A porta está trancada atrás de você. Você deve tomar o que ele lhe der, amaldiçoado ou não. Aquele homem tão poderoso ter lhe dado audiência deve ser suficiente. Além disso, ouvi dizer que até os agonizantes elogiam seus drinques em seus momentos finais.


Se você veio até então sem selar o seu destino, o bartender irá dizer “Tenha certeza de que você tome cuidado com isto; é o melhor que eu tenho” Daí em diante, você pode fazer uma de duas coisas: Diga palavra por palavra “Eu superestimei minha força, e eu lhe desejo uma boa sorte”. Se o barman aceitar, você pode sair pela porta pela qual entrou, ileso e com nada ganho ou perdido (com a exceção do tempo que passou lá dentro).


Ou você pode continuar.


Será-lhe dado um copo sete faces de aro, com cada lado torcendo sempre tão delicadamente em torno da bacia até formar uma alça elegante e simples. Você também receberá uma muito, muito, muito especial colher de absinto, na forma de uma chave; os buracos no topo da chave servem como o ponto de drenagem para o álcool se derramar sobre o cubo de açúcar. E, claro, uma garrafa sem marcas, há muito tempo despojada de seu rótulo, pedaços de papel pregados ao lado, coberta com a podridão de décadas passadas.


A colher é totalmente plana, mas tem dois lados distintos: um com um sulco ao longo do eixo da chave, e um sem. Vire o eixo, para que o sulco esteja de cabeça para baixo. Se você tentar isso com o sulco para cima, seu absinto vai ter um gosto horrível, seu nariz vai queimar, e seus olhos irão murchar em suas órbitas com horrores inimagináveis que não pertencem a este mundo.


Agora, se sua colhear está posicionada do jeito correto, comece a prepar o absinto como o faria normalmente. (Coloque o cubo e açúcar na colher e derrame o álcool sobre ele para que ganhe sua cor e suas “qualidades especiais”).


Diga “Saúde!” ao seu amigo, o barman, e o vire de uma vez só. Se não o fizer, o absinto vai queimar cada entranha que tocar com o poder e a dor do ácido sulfúrico.


Se você fez tudo certo, as já fracas luzes vão se apagar, e as trevas consumirão o bar. Não tenho medo; as trevas são o sinal de que você foi admitido na exposição. Espere em meio à escuridão, e fique silencioso como os mortos, para que o bartender não resolva torná-lo um.


Eventualmente (não demora muito, só uns dois ou três minutos), um holofote verde vai brilhar intensamente em uma porta na parede distante do bar. O bar será banhado em verde, e não apenas do projetor. Pequenas esferas luminescentes gentilmente passar pela sala, eo barman não estará mais lá ... Nem qualquer outra pessoa despretensiosa lá dentro antes.


Não há perigo a partir desse ponto... O considere um ponto seguro. Se você não terminou o absinto, você não precisa, mas talvez precise do álcool. De qualquer jeito, pegue a colher e a coloque na fechadura do portal iluminado em verde. Irá se encaixar perfeitamente, e chegar até o fim da fechadura com um clique ressoante.


Lá dentro há um pequeno elevador, com a mulher mais linda que os olhos mortais podem imaginar, banhada em luz verde com tal ângulo que a luz reflete atrás dela na forma de duas asas.


A Fada Verde em pessoa irá lhe perguntar “Vai subir?”, e considerando tudo pelo que você acabou de passar, só faria sentido dizer que sim.


Agora, você tem mais um obstáculo para passar. Ela irá lhe perguntar, enquanto você atravessa a linha entre o bar e o compartimento, “Como você compararia o surrealismo de Beauchamp ao de, podemos dizer, René Magritte?”. Para sua resposta, você deve dizer “Eu vim para ver mais do que arte essa noite.


Se você não responder assim, o holofote verde vai se apagar, as portas irão se trancar, e o elevador vai descer por uma negrura aparentemente infinita, antes que uma luz vermelha comece a brilhar cada vez mais enquanto o elevador se aproxima das profundezas do inferno.


Agora , se o seu elevador começar a subir, a luz verde também irá desaparecer, mas em seu lugar estará o brilho frio da lua. Mas, antes mesmo que você a reconheça, o elevador vai atingir o topo de seu... Bem, vamos chamar de eixo para que não fique muito intrincado.


Não estou tão certo sobre isso como estou do restante, mas eu ouvi que se a Fada Verde beijar sua bochecha enquanto ela sai do elevador, você sempre será abençoado com inspiração e criatividade: uma musa permanente e sempre mutável. Você não pode pedir a ela, você não pode beijá-la; ela deve fazer isso por sua própria vontade. Se não... Bem, nada, mas não a razão para fazer isso de qualquer jeito e enfurecer a mulher que é responsável por manter as pinturas de Beauchamp seguras por tanto tempo.


Você vai entrar, do elevador, em um salão da virada do século, com um grande poster de Henri Beauchamp no lado esquerdo da parede oposta; do direito está uma porta.


Tomar algum tempo para ler o pôster é uma idéia razoavelmente boa, já que explica a importância de Mounsieur Beauchamp. Veja bem, ele era um surrealista nos anos 1920, sempre tentando fazer uma arte livre de qualquer tipo de premeditação, e conseguiu fazê-lo. Depois de uma noite em um pequeno e sujo bar em Paris, ele começou a pintar... Padrões.


Primeiro eram padrões geométricos. Depois fractais completos. E então imagens que estariam nos jornais no dia seguinte. Depois na semana seguinte. Cinquenta anos no futuro. Cem anos no futuro. Duzentos anos no passado...


Então, na última noite de sua vida, ele raptou três garotas de suas casas à noite, assassinou-as, e pintou suas últimas obras primas em vermelhos e amarelos com o sangue e a bíle das virgens.


Ele cometeu suicídio imediatamente depois de ter pintado 13 delas.


Elas estão atrás da porta.


As primeiras seis, à esquerda, mostram, numa ordem da esquerda para a direita: A gênese do unvierso, a única forma verdadeira de Deus como visto pelos olhos do homem, a verdadeira imagem de Jesus Cristo, as nuvens do Paraíso se alastrando, todos os Papas do primeiro até faces ainda não reconhecíveis, e um retrato da aparência de Jesus em sua segunda vinda.


As outras seis, à esquerda, mostram, da direita para a esquerda: o cataclismo do universo, a única visão verdadeira de Satã que pode ser vista aos olhos humanos, a verdadeira imagem de Judas, as chamas do Inferno se alastrando, todos os demônios encarnados em humanos do primeiro até faces ainda não reconhecíveis, e um retrato do Anticristo em sua vinda.


Agora, seis e seis fazem doze. E sobre a décima-terceira?


A décima terceira pintura está virada ao contrário, sua imagem encarando a parede. O espaço em torno dela é amarrado acima em um diâmetro muito grande, e sob a imagem invertida há um sinal, em três línguas. No topo há as escrituras dos Serafins, na última linha as runas das maiores ordens demoníacas, e no meio em letras romanas. Todos dizem:


NÃO


TOQUE


Como o beijo, não posso dizer essa parte com muita certeza, mas ao mesmo tempo... Eu ouvi que, de alguma forma, enquanto morria, Beauchamp esfolou sua pele, seus órgãos, sua própria alma em alguma forma de colagem. Como ele usou seu próprio corpo para criar uma obra-prima tão terrível, eu nunca poderia dizer, nem me arriscaria a tanto.


Então... Se você conseguir, talvez você consiga virar a pintura e me dizer como é, algum dia? Você pode me contar sobre ela enquanto tomamos um drinque.


Medo B